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Construir um pensamento

Arquitectura e Vida, nº 52 Septiembre. Portugal.

Josep Lluís Mateo nasceu em Barcelona em 1949 e graduou-se em Arquitectura em 1974 na ETSAB. Doutorado em 1994 pela Universidade Politécnica da Catalunha, é Professor permanente no Departamento de Arquitectura do Politécnico Federal Suisso de Zurique (ETH-Z). Ensinou e deu conferências em numerosas instituições Europeias e Americanas, tendo sido Professor visitante do J. P. Getty Center (Los Angeles 1991-92). Foi editor da revista Quaderns d'Arquitectura i Urbanisme de 1981 a 1990, que foi galardoada nesse período com os prémios ACCA, Laus Award, The Barcelona Town Hall Fine Arts Award, e UIA Award.

No seu trabalho de arquitectura obteve o Primeiro Prémio da CEOE Spanish Architectural Award 2001 (conjunto de casas na doca Borneo, Amsterdão) e as Menções Especiais ITALSTAT prémio para jovens arquitectos, 1991. Foi nomeado como um dos 22 melhores trabalhos da arquitectura espanhola, na Bienal de Santander, 1991, (arranjo urbano da Ullastret), Barcelona FAD Awards, 1993 (Edifício Central na Área Desportiva, Universidade Autónoma de Barcelona).

Em 1991 criou o MAP Architects, onde é o arquitecto principal, com Marta Cervelló. En el 2004 su estudio profesional pasa a llamarse "Josep Lluís Mateo, Arquitectos" con Marta Cervelló, Jordi Pagès y Markus Lauber como asociados.

Como trabalhos de arquitectura tem os escritórios do Bundesbank em Chemnitz (Alemanha) e o Centro de Convenções de Barcelona, ambos os projectos ganhos em concurso público.

Está a desenvolver o Auditório e o Museu de Arte Contemporânea de Castelo Branco, as novas instalações do governo em Haarlem (Holanda), a ampliação dos edifícios de escritórios da Companhia PGGM em Zeist (Holanda), o Museu Soja em Qing Pu (Shanchai), o novo layout das agências do BancSabadell em Espanha, e o edifício de residência de estudantes Sant Jordi da Universidade de Barcelona. O seu trabalho tem sido publicado em várias revistas internacionais.

AV - Enquanto director dos Quaderns d'Arquitectura i Urbanisme - revista com ligação ao Col.legi d'Arquitectes de Catalunya -, quais foram os grandes objectivos editoriais da revista, e qual o âmbito das suas preocupações teóricas e práticas?

JLM - A minha acção durante a década de 80 correspondeu a um projecto intelectual e comunicativo que se relacionava com o contexto histórico que se desenvolvia nesses anos em que a arquitectura espanhola dum modo geral e especialmente de Barcelona e Catalã em particular tiveram uma aparição no mundo internacional com grande intensidade dada a emergência da obra pública e de novos projectos. Nesse sentido, o meu papel na revista foi incorporar a voz e as propostas das novas gerações, e do ponto de vista político foi lançar novos discursos, novos nomes e novas propostas no panorama internacional e no panorama local. Por outro lado, a nossa revista participou activamente na dissolução do pós-modernismo historicista no panorama internacional e na aparição de novas formas de fazer fora dos discursos mais historicistas que correspondiam aos discursos mais oficiais da cultura local que nós também combatíamos. Tentamos lançar discursos novos sobre a periferia, sobre o valor do andrajoso, do sujo, do periférico, sobre a relação com o cinema, reagindo contra o historicismo ornamental no qual o pós-modernismo se estava a acomodar.
(relacionado con el ornamento)

AV - Essa reflexão sobre o informal e as periferias, faz uma recentralização das preocupações do discurso urbano e propõe uma nova atitude relativamente à paisagem?

JLM - A cidade contemporânea é mais do que as referências onde existe a paisagem, mais do que a própria história ou tradição, pois o papel emergente da paisagem constitui um momento de síntese ou de referência da cidade que é ampliada à periferia e a todo o construído.

AV - O discurso da paisagem teve uma das primeiras articulações com a tecnologia em 1851 no Hyde Park com o Crystal Palace tentando sintetizar um discurso filosófico conciliador entre a razão e a Natureza.

JLM - É interessante, pois um crítico do Instituto Holandês de Arquitectura questionou-me há poucos dias também acerca da relação entre o Crystal Palace, a Natureza e a razão, como sendo uma momento especial de Paxton. O argumento da natureza é muito potente, e cada vez mais.
Na minha obra tenho como referentes o uso, a construção, mas como forma de pôr a obra em relação com algo. Refere-se muito frequentemente também à natureza, geometria, razão e abstracção na linha artística de Worringer na relação entre natureza e abstracção. Ele tem um livro sobre este assunto onde coloca a abstracção, a geometria e a razão por um lado, e o natural o orgânico e o informal por outro. Esta espécie de dualidade está muito presente na minha obra.

AV - Esta paisagem de que fala tem alguma articulação com uma visualidade, com o sentido lúdico ou apenas com o discurso ecológico de recuperação da degradação?

JLM - É um dos referentes desta ampliação do que se entende sobre a cidade e o discurso urbano. O discurso de há 20 anos fala das linhas onde se pode pode englobar o discurso pós-moderno e entender a cidade como referência à cidade histórica e à cidade do século XIX, ejemplificado en el discurso do Rossi e da escola italiana com muita presença em Espanha.
Os discursos dos anos 80 reivindicavam a periferia como parte da cidade contemporânea. Esta ampliação do campo, o que faz é destruir qualquer tipo de referencial do ponto de vista tipológico do que é a cidade. A periferia da cidade não existe como forma, é um vazio, e nesse sentido parece que emerge o papel da paisagem e do natural como um momento central no discurso urbano provocando uma maior consciência de que a cidade contemporânea tem algo e algum tipo de leitura de projecto possível, que tem mais a ver com a paisagem do que com o construído, com a volumetria, mais relacionado com a natureza, tal como nos movemos, vivemos e percebemos a cidade, como nos movemos na natureza, e não como o usava o homem urbano do século XVIII ou XIX. Então vemos um mundo onde tudo está construído e o tempo quase todo está em aberto.

AV - Há uma postura mais informal que tomou o lugar da "racionalização" do espaço?

JLM - A "racionalização" como expressão do projecto e da construção está cada vez menos presente. Existem fragmentos de coisas no meio de grandes vazios, e creio que a consciência de que a cidade contemporânea é algo que tem a ver com o não controlo, com a impossibilidade da geometria, é que faz que tenha muito mais a ver com la naturalidad del paisaje.

AV - O todo exprime-se através duma fragmentação das partes correspondendo à visão histórica de Foucault e à introdução do aleatóreo no pensamento urbano e arquitectónico?

JLM - E de Deleuze, que creio que é uma personagem que tem muito a ver com o mundo do pensamento da arquitectura mas que hoje está muito mais ligado ao rizoma desde há dez anos, com outras geometrias que não são a geometria cartesiana.
El pensamiento de Deleuze ha sido muy influyente en el panorama crítico contemporáneo, figuras como la de mi amigo, desgraciadamente desaparecido, Ignasi Solà-Morales, plantearon una adaptación en terminos arquitectónicos de sus conceptos más genéricos. Cuestiones como las de topografía, repetición y diferencia, sensación y razón tienen específicas resonancias arquitectónicas. También me resulta próximo su talante como intellectual y pedagogo, más interesado en descubrir y explorar que en sistematizar y codificar.

AV - O computador também influencia esta atitude explorando novas possibilidades de concepção, criando novas possibilidades de desenvolvimento das geometrias curvas e das superfícies empenadas tornando possível construí-las em tempo?

JLM - Sem dúvida que o computador enquanto possibilidade de desenho e de construção, é um caso claríssimo. O seu papel foi essencial, e decorria de razões funcionais, com grandes painéis pré-fabricados de construção.
En la fachada sur del Centro de Convenciones Internacional de Barcelona fizemos um projecto em frente ao mar tendo a paisagem como referente, e apareceram soluções que eu nem sei como foi, porque o computador tinha gerado umas potentíssimas imagens. Os painéis são todos de formas diferentes e não têm mais do que um tratamento de superfície diferenciado.
O que é importante são as possibilidades que fazem a série, mas por outro lado há os elementos variáveis. Os que fazem a série é o programa e a máquina que corta de uma determinada maneira, mas os acabamentos podem ser diferentes, e o computador tem de ver se está dentro da sua configuração. Uma coisa é a própria técnica, a maneira de fazer e não só a maneira de pensar.

AV - Na sua obra, mais do que uma dualidade, percebe-se que há uma conjugação das diferenças pesquisando novas articulações.

JLM - Eu penso que é um bom adjectivo, pois a argumentação de gerar uma nova visão uma nova leitura da situação, um novo equilíbrio, é um elemento que sempre me interessou.

AV - Como processa a transmissão de conhecimentos nas relações que estabelece com a arquitectura e com o ensino?

JLM - Sou educador de uma forma indirecta, porque fiz algo de uma forma que quase não a quis fazer, uma actividade na qual eu nunca acabei por crer muito porque interessa-me mais aprender do que ensinar. É mais explicar o que sei sem tentar entender o que não sei ou aproximar-me do que não sei. Coloco-me sempre numa situação como a do aprendiz. Um professor tem que lançar um discurso, e isso está-se a passar na minha cátedra em Zurique onde o que me interessa não é tanto a transmissão de um pensamento, mas de construir um pensamento, e não de transmiti-lo o que me aborrece. O meu objectivo central é ser arquitecto.

AV - Qual a importância das revistas de arquitectura na transmissão de novas ideias e na formação das novas gerações?

JLM - Quando se é editor, essa espécie de relação entre as revistas e o papel do pensamento e da prática parece-me muito importante, estou interessado em participar activamente no debate e na construção da revista e não fazê-la. Fala-se pouco, as revistas têm um aspecto claríssimo, são fundamentais, mas também têm no mundo contemporâneo papeis que desaparecem em 5 minutos. Para mim não têm um grande peso porque já não me afectam. Quando era jovem ficava emocionado pelo que lia e via, mas agora já se "conhece" e as revistas são mais vulgares. São fundamentais por razões várias, mas não me afectam muito.
En estos momentos las revistas actuan mayoritariamente como instrumentos de reproducción de experiencias. La auténtica producción de conocimiento es externa a ellas, se produce en la práctica.

AV - Mas o que as revistas transmitem podem construir referências, modelos, para a partir daí se criarem novas coisas?

JLM - Mas há tantas que elas anulam-se umas às outras. Seriam imagens que são estereotipos, são pontos de partida, mas também há muitas revistas e muitas imagens que desaparecem. Por outro lado, há em paralelo uma série de obras que se vendem ou publicam em todos os lados. Também pela sua repetição, podem de alguma maneira substituir ou viver ou desaparecer pela sua própria redundância. Há arquitectos que a sua última obra sai simultaneamente em 50 revistas. Pode haver uma certa dúvida de que isto seja mediaticamente correcto nesta enorme difusão da imagem propriamente dita, e não só da mensagem como o mundo contemporâneo pede. Hoje, faz-se uma coisa na China que é igual ao que se veria aqui, e quase se consome o mesmo produto. Este aspecto da mundialização da imagem também tem a sua força. Díria que la difusión globalizada de imágenes y experiencias propias de nuestro mundo, inevitable y en parte positiva, deja un cierto vacío propositivo y cualitativo. La selección y la exclusion (así como la afirmación decidida de algunas cuestiones) son actividades más necesarias que nunca.

AV - Neste quadro múltiplo de imagens quase que global, como se constrói o quadro de referências de uma atitude correcta perante uma intervenção na realidade, uma vez que tudo parece ser possível?

JLM - A arquitectura sempre foi uma disciplina artística e criativa que se tem algo específico, é a sua extrema relação com a realidade. Nesse sentido, nem tudo é possível. Para uma prática da arquitectura o que pedem também e que justifica a sua presença, é que seja capaz de ter trabalho, de ser reconhecido pelo exterior como aquela prática capaz de gerar uma obra e isso não é fácil. Em Portugal e em todo o mundo, há uma quantidade enorme de arquitectos que já não podem imaginar ser arquitectos como foram os seus pais ou os seus avós, pois está-se numa reorganização do mercado profissional. Há uma atenção aos discursos que sempre houve, mas que agora têm um referente externo que é a realidade de uma forma mais extremada. Na minha geração havia o mercado, um arquitecto tinha que fazer o seu projecto necessário, útil, adequado. É como ganhar um concurso que não esteja manipulado e dizer o que ganha é eventualmente o que responde melhor ao problema. É entendido como um conjunto de actos onde há factores emocionais, factores racionais, factores técnicos, "económicos", emotivos com ambição. O que responde melhor a isto, - e eu tenho ido a concursos porque há pouco trabalho, não me confiam nada - , quer dizer ser capaz de sintetizar uma situação como um projecto. Neste mundo pede-se arquitectura, mas não se pede arquitectura sempre, pede-se arquitectura de uma determinada maneira, inteligência construida de uma determinada maneira, há uma espécie de exterior actuante neste caso.
En forma quizás no evidente, la necesidad de arquitectura es hoy mas presente que nunca lo fue, lo que debe motivarnos para encontrar los caminos necesarios para construirla.

AV - Hoje o arquitecto tem que reactualizar os arquivos da memória, e ter a inteligência de ler as oportunidades e criar novas condições operativas.

JLM - Exactamente, é o repto da nossa profissão que para além de necessária é indispensável. O discurso icónico põe-se em todas as minhas obras a duma forma muito tensa. Estou a acabar de construir um edifício para o Bundesbank que ganhei num concurso internacional numa situação muito complicada pelo problema em si, e por ser um banco na cidade de Carl Marx na Alemanha de Leste onde nasceu o Partido Comunista. Intelectualmente era um problema complexo, para além de haver tensões e do dinheiro que sempre rodeia a arquitectura, também havia de ter a capacidade de imaginar ideias. Ele sobreviveu, porque a ideia que aquele edifício representava era adequada.

AV - Coop Himmelb(l)au ganhou o concurso para o Banco Europeu porque o conceito que propôs era o adequado para o conceito do banco.

JLM - Isso é muito importante, existir cumplicidades, a importância do exterior. Na minha geração vivemos a relação da prática artística contra o exterior, numa perspectiva romântica do artista como expressão de um mundo próprio em oposição ao mundo exterior, ao mundo oficial. No nosso caso, essa atitude não está adequada. Temos que tentar buscar a cumplicidade do exterior, e ter no cliente um cúmplice.

AV - O Centro Cultural que está a fazer em Castelo Branco e a requalificação do centro da cidade é uma intervenção extremamente marcante. Fazendo parte do seu discurso palavras como espectáculo, natureza, energias, como se relacionou com o lugar, e até que ponto estes princípios tiveram importância na conceptualização?

JLM - A natureza como primeiro tema é entendida aqui como topografia. Interessou-me muito o primeiro encontro com Castelo Branco onde a topografia e a montanha vai baixando e depois levanta. Esta condição topográfica foi o primeiro dado para saber como trabalhar. O projecto é um primeiro plano em redor do qual se desenvolve uma praça. São as diferenças de nível que geram um elemento em cima de onde se vê, e um de baixo onde se é visto, há um movimento, e a coisa mais básica é que está afundado.
A segunda forma de me relacionar com a cidade foi física, porque tem algo que eu como estrangeiro sempre tinha observado e apreciado no mundo português que é uma espécie de tradição decrépita, autenticamente envelhecida, mas ao mesmo tempo com grande dignidade vista de fora.
Do ponto de vista físico, há uns pavimentos, e é muito difícil porque há que ver quais as formas e os materiais e é tudo muito minúsculo. É um pavimento para levar a água ou um banco, são coisas pequenas mas que são mais difíceis de fazer do que as grandes. Para fazer isso há que destruir uma grande quantidade de pavimentos de que eu gosto muito, são tradicionais, mas não é nada fácil de transformar esta espécie de morte digna destas pedras em algo que seja atractivo, que seja jovem. Não é nada fácil de passar desta espécie de dignidade histórica morta para uma vitalidade jovem e activa. Há um ponto entre o antigo, arcaico, morto, e a cidade nova, viva, da luz e da juventude que também está metida neste projecto e que não é nada fácil de fazer neste caso.

AV - Posicionalmente é muito diferente de actuar num contexto novo ou com grande índice de transformação?

JLM - Estamos a começar um projecto na China, e para mim é muito mais fácil fazer esse projecto do que o de Castelo Branco porque é uma situação muito mais exótica para mim, e que portanto tenho que me situar numa posição muito mais distante, más abstracta, e resulta ser muito mais fácil pensar esse projecto do que o de Castelo Branco, onde é um drama como se põe cada pedra sem mudar tudo. Eu não improviso, e tem de haver padrões contínuos ou que algum pequeno fragmento se pode desenvolver "in situ", mas não sou nada de mudar os argumentos em absoluto, por isso há que fazer uma trama sólida donde se pode retirar algum detalhe, é como uma situação romântica que queria ter escapado dela. O espaço público contemporâneo tem que possibilitar o mundo do espectáculo, e partindo dessa premissa gostaria ajudar a conduzir o assunto de modo que fique com uma certa consistência específica. Gostaria que fosse um espectáculo moderno e comercial, mas com um certo ponto especial que tenha a ver com Portugal, que não fossem as lojas de marca a constituir esse espectáculo. Interessa-me a praça embora tenha muito esforço e poucas gratificações. O auditório cria muitas ilusões pois é um mundo do espectáculo especial, menos vulgarmente espectacular.

AV - O que sucede, é que parece que a intervenção está incompleta, - é um pouco como um OVNI no bom sentido -, que necessita de outros desenvolvimentos, talvez de um Plano de Pormenor ou de uma construção que funcione como um cenário do Centro Cultural, que produza uma escala mais alargada que complete a cidade.

JLM - A primeira vez que me propuseram, não passava por continuar o antigo quartel, porque gerava muitas tensões com a população. Então, tentei pôr a questão de outra maneira, e ver o que aconteceria se conservassemos o parque e se reconstruíssemos esta espécie de frente do antigo quartel, ganhando-se uma peça muito diferente que agora se completaria.
As coisas ou se vivem, não se pode continuar a pensar que o centro de Castelo Branco vai ter muitas pessoas, é melhor parar por aqui agora, e o êxito da operação seria que continuasse a crescer, é como os organismos vivos, ou crescem ou morrem. Há cidades que se expandem e há cidades com um discurso tão conservativo, tão dramático, e tão equivocado.
Em Detróit, estão a analisar como era a cidade histórica e agora é a selva. O espaço público afecta muito a sensibilidade do colectivo, o que é positivo. A sensibilidade, a altas e baixas paixões das pessoas, nesse sentido, é positivo. A praça é como o prolongamento da casa e a gente pode ter medo, porque associa à transformação urbana um ponto de pouca esperança da vida moderna.

AV - A cidade estava parada, não havia há muito tempo transformações no centro, e compreende-se que a população tenha medo, pois é necessário tempo para se criar uma identidade.

JLM - La identidad que no se renueva, muere. La tradición que no se actualiza activamente (y esto es especialmente cierto en nuestro mundo globalizado) ó desaparece ó queda reducida a atracción turística en un parque temático de Disney.
Mi trabajo me ha llevado a diferentes contextos culturales en donde esta tension entre continuidad y ruptura se plantea en formas diversas; aunque una situación tan duramente tradicional como aquí, con recelo de cambio, hace mucho tiempo que no encontraba. Este es un reto añadido para mi trabajo, que me obliga a extremar por un lado la pertinencia y la precision de mis propuestas y por otro a acentuar la radicalidad de las mismas porque continuar la tradición local decrépita, implica en este caso introducir modernidad active. Y este es nuestro trabajo.

AV- Constituindo a casa dos arquitectos um mundo propio.........tantos outros queais foram os conceitos e referencias que utilizou na sus casa?

JLM- O projecto surge sempre com un diálogo com o exterior........... Pensci a casa como mais umapeça que se relaciona com estos elementos.

Junto al mar, con las rocas del Mont-Farrutx detrás, la casa se pensó como un objeto abstracto, diferente, pero relacionándose activamente con las energies primarias del cosmos. Es cristalina, como las rocas que la rodean, configura un pequeño patio interior como exterior protegido. Se protege también del sol y de las altas temperaturas del verano con diversos mecanismos (potenciando la ventilación natural mediante el efecto chimenea de su espacio central, con grandes voladizos.) y también se abre en planta baja para acentuar la relación Mar-Montaña y para convertir un espectáculo de naturaleza y sus energías. La casa no utiliza ninguna de las formas de la arquitectura vernácula que de forma muy ridícula siguen empleándose en las nuevas construcciones para alemanes que la rodean. Como en los dibujos de Malevich, marca un punto, un lugar, en el espacio infinito.
En los días de temporal, frecuentes en invierno, la casa mojada por las olas tiene algo de barco ó de faro, ambas construcciones humanas más próximas a mis intereses que las vulgares y genéricas arquitecturas de la zona.